Resenha de Tinta: É Assim que Acaba



Autor: Colleen Hoover
Número de páginas: 368
Editora: Galera Record
Ano: 2018

Ao ver um livro desconhecido, o que mais te instiga a lê-lo? A capa? O autor renomado ou totalmente desconhecido? A sinopse? Todas as alternativas anteriores?
A mim, o que chama muito a atenção é o título. E normalmente vou lendo e tentando entender o porquê dele.
Nesse caso, já imaginei um final trágico do tipo o oposto de “e viveram felizes para sempre”. Mas não imaginei o durante...



Lilly Bloom é uma administradora da área de marketing que tem 23 anos e mora em Boston com uma colega de apartamento.
Sua vida meio que segue um rumo quase aleatório. Ela até faz planos, mas não encontra muita perspectiva em realizar alguns. Uma noite, precisando de um ar mais fresco numa grande cidade, ela sobe até o terraço de um edifício e fica sentada na beirada, sentindo o vento gelado no rosto. Então de repente percebe que não está mais sozinha, mas o intruso não a vê. Ele descarrega tudo o que quer que esteja sentindo em uma cadeira e Lilly só observa. Então ele a vê e ela sente a conexão imediata.
“...Ele dá uma longa tragada no baseado e começa a se voltar para o parapeito. Percebe minha presença ao expirar. Para de andar no instante que nossos olhares se encontram. Sua expressão não é de susto nem de humor. Ele está a uns três metros de distância, mas a luz das estrelas é suficiente para que eu enxergue seus olhos observando meu corpo sem revelar um único pensamento. Esse cara sabe esconder o jogo; estreitando os olhos e comprimindo os lábios, ele parece a versão masculina da Mona Lisa.— Como você se chama? — pergunta ele.Sinto a voz no estômago. O que não é nada bom. As vozes deviam parar nos ouvidos, mas, às vezes — não é nada comum, na verdade —, uma voz penetra em meus ouvidos e reverbera por meu corpo. Ele tem uma dessas vozes. Grave, confiante e um pouco parecida com manteiga.”
Conversam durante um tempo falando verdades nuas e cruas, sem medo de julgamentos, preconceitos ou algo assim. Simplesmente a verdade, seja ela agradável ou não. O que começa com curiosidade, termina num flerte intenso, mas sem nenhum tipo de contato físico. Os dois buscavam realidades opostas em relacionamentos amorosos.
Mas passado algum tempo e diversas mudanças, os dois voltam a se encontrar e se encontrar... e o que começou como uma brincadeira vai se tornando algo sério e permanente. Um florescer lindo e transformador. Ryle Kincaid torna-se um novo homem por causa de Lilly Bloom. E ela adora a nova pessoa que está se tornando e o novo rumo que o destino traça em sua vida.
Mas numa noite tudo muda e algo se quebra dentro de Lilly e ela se vê vivendo experiências ruins onde esteve como expectadora e é mais forte do que possa aguentar. E não há ninguém que a veja ou a entenda da forma como deveria ser porque nem ela consegue se ver do lado correto.
Esse livro trata de um tema tão forte e tão comum. Um tema que divide as pessoas entre as que viveram e entendem a questão em toda a sua extensão e aquelas que não viveram e não conseguem entender nem a ponta do iceberg. E não por questões julgadoras ou coisas similares, mas porque são sentimentos conflitantes demais numa só situação.
A escrita da Colleen faz que com você sinta na pele esse conflito e fique da mesma forma que Lilly: boiando num mar de emoções boas e ruins sem saber como acaba.
Que livro!! MEO DEOS!!!!
Terminei esse livro sem uma palavra na mente. Nada que pudesse descrever a pancada que foi. O chacoalhão merecido.
Em meio a essa onda de livros onde o abuso está sendo romantizado, esse livro se ergue para dizer NÃO, para dizer que o padrão precisa ser destruído antes que destrua você. E que nunca podemos perder de vista nosso limite.
Só leia.






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